Sábado, Novembro 14, 2009

Sete presos sarauís

Não basta celebrar o derrube do Muro. Há que continuar a lutar contra a tirania e os poderes ilegítimos. Sobre os sete sarauís presos políticos em Marrocos, ler aqui.

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

O Vale do Riff - Neil Young, «Lotta Love»

Viver é só mentir como a Morte caminha
António Patrício

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

O Vale do Riff - Mudhoney, «Sweet Young Thing» / «Chain That Door»

los odiantes se roen a sí mismos / y se mueren de metástasis de odios
Mario Benedetti

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

O Vale do Riff - King Django, «Hey Bartender»

A mim o sol nascer todos os dias / punha-me o infinito na palma da mão.
João Camilo

Terça-feira, Novembro 10, 2009

O Vale do Riff - Earl Hines, «Memories Of You»

Meus inimigos vivem / por existir comigo.
Carlos Nejar

O Vale do Riff - Clark Terry & Red Mitchell, «It Don't Mean A Thing (If It Ain't Got That Swing)»

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Recordando Manuel Joaquim de Sousa, a propósito dos 20 anos da queda do Muro de Berlim

Há vinte anos, a queda do Muro de Berlim -- o muro da vergonha, lembram-se? -- representou o fim do maior embuste do século XX: sociedades reprimidas e policiadas, em nome da liberdade e da justiça; imperialismo de rapina, em nome do internacionalismo e da amizade dos povos; belicismo, em nome da Paz (com maiúscula e tudo); castas privilegiadas (dum lado os apparatchiks; do outro, a generalidade da população), em nome da igualdade. Era assim que queriam combater o capitalismo.
Como dizia o velho anarquista Manuel Joaquim de Sousa, polemicando com Bento Gonçalves, o PCP queria substituir uma ditadura (o salazarismo nascente) por outra, ainda mais cruel e mais estúpida.

Sábado, Novembro 07, 2009

Antologia Improvável #408 - Bernardo de Passos (3)

A LAMA E O REI

Disse a lama do chão, que os vis esgotos somem,
para um rei que a pisava, esplendente de fama:
-- Quando te pisarei, um dia, feita homem?
Quando serei eu rei? Quando serás tu lama?


Refúgio / Obra Poética
(edição de Joaquim Magalhães)

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

O Vale do Riff - A-ha, «The Living Daylights»

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

caracteres móveis - Octave Mirbeau

Esqueço como que por milagre todos os meus rancores, todos os meus ódios, toda as minhas revoltas, e só experimento para com as pessoas que me falam humanamente sentimentos de abnegação e amor, embora saiba, por experiência própria que só as pessoas infelizes colocam o sofrimentos dos humildes em pé de igualdade com o seu e que há sempre insolência e distância na bondade dos felizes...



Diário de uma Criada de Quarto
(tradução de Adelino dos Santos Rodrigues)
imagem daqui

O Vale do Riff - Redd Kross, «Lady In The Front Row»

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

obrigado, pessoal :)

Em 2007, uns quantos rapazes e raparigas invadiram uma propriedade privada que produzia milho transgénico, destruindo simbolicamente uma pequena área de cultivo. De repente, a nossa letargia bovina, a nossa passividade de cobaias foi despertada por essa acção terrorista e perigosíssima. O Estado quer levá-los a julgamento. Eu acho que devemos agradecer-lhes.
Ler aqui; petição aqui.

caderninho

Aquele que é amigo, é-o em todo o tempo; torna-se um irmão no tempo da desgraça. Colecção Salomónica
«Provérbios», Bíblia Sagrada (Missionários Capuchinhos)

O Vale do Riff - Jimi Hendrix, «Hey Baby (New Rising Sun)»

porque sim

Jacqueline du Pré
(lembrei-me dela, a propósito dum post da Aust.)

Terça-feira, Novembro 03, 2009

Antologia Improvável #407 - Manuel António Pina

4 DE JULHO DE 1965

segundo fontes geralmente bem
os altos interesses nacionais
foi recebido carinhosamen-
pretende para fins matrimoniais

entre os países membros da otan
as suas provas de doutoramento
sua excelência o presidente da
a conferência do desarmamento

excelentíssimo senhor director
ardilosos amigos do alheio
nosso prezado colaborador
atrasos na entrega do correio

não perca esta excelente ocasião
da santa mare igreja faleceu
resposta em carta à administração
de casa de seus pais desapareceu


Ainda não É o Fim nem o Princípio Calma É Apenas um Pouco Tarde

O Vale do Riff - Herbie Hancock, «Cantaloupe Island»

O Vale do Riff - Jack Teagarden, «Lover»

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Figuras de estilo - Vergílio Ferreira

Escrevo fundamentalmente porque a escrita me realiza, como a outros uma ocupação, mas sobretudo porque a escrita me dá acesso ao mundo do encantamento, do milagre, da verdade mais perfeita da vida.


Conta-Corrente I

Domingo, Novembro 01, 2009

Il faut se taire

Vi ontem «Les Chansons d'Amour», de Christophe Honoré. O filme interessou-me pouco, ao contrário da banda sonora, de Alex Beaupin, justamente premiada com um César. Do caraças. Fica aqui uma das canções.

Sábado, Outubro 31, 2009

acordes nocturnos

Palavra de Aust.

Instigante, o Abencerragem? A Aust. toma-o como tal -- e eu quero fazer-lhe a vontade. Vou aprovetar para mencionar sete blogues que não estão activos, e por esta ou aquela razão me instigaram na bloga.

músicas grandes - Carlos Seixas, Sonata #3 para cravo


Mário Marques

acordes nocturnos

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

caderninho

CELEBRIDADE - As celebridades: preocupar-se com o mais pequeno pormenor da sua vida particular, a fim de as poder denegrir. Gustave Flaubert
Dicionário das Ideias Feitas (tradução de João da Fonseca Amaral)

O Vale do Riff - Erroll Garner, «Misty»

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Antologia Improvável #406 - Agostinho Neto (2)

Lá no horizonte
o fogo
e as silhuetas escuras dos imbondeiros
de braços erguidos
No ar o cheiro verde das palmeiras queimadas

Poesia africana

Na estrada
a fila de carregadores bailundos
gemendo sob o peso da crueira
No quarto
a mulatinha dos olhos meigos
retocando o rosto com rouge e pó de arroz
A mulher debaixo dos panos fartos remexe as ancas
Na cama
o homem insone pensando
em comprar garfos e facas para comer à mesa

No céu o reflexo
do fogo
e as silhuetas dos negros batucando
de braços erguidos
No ar a melodia quente das marimbas

Poesia africana

E na estrada os carregadores
no quarto a mulatinha
na cama o homem insone

Os braseiros consumindo
consumindo
a terra quente dos horizontes em fogo.


Poemas / No Reino de Caliban II
(edição de Manuel Ferreira)

O Vale do Riff - Byron Stripling, «Tiger Rag»

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Figuras de estilo - Cyro dos Anjos

Bem agem aqueles que acorrentam os homens e lhes dão um duro trabalho. Deixem-no folgado, e teremos o anarquista, o poeta, o céptico e outros seres que perturbam a vida do rebanho.



O Amanuense Belmiro

O Vale do Riff - K2R Riddim, «Dub En Do Mineur»

Terça-feira, Outubro 27, 2009

caderninho

Na vida do homem, a duração é um instante; a substância, fluente; a sensação, embotada; o composto de todo o corpo, pronto a apodrecer; a alma, um turbilhão; o destino, um enigma; a fama, uma vaga opinião. Em resumo, tudo o que respeita ao corpo, um rio; e a alma, sonho e fumo; a vida, uma guerra, um exílio no estrangeiro; a fama póstuma, o esquecimento. Que pode então guiar-nos? Única e exclusivamente a filosofia. Marco Aurélio
Pensamentos para Mim Próprio (tradução de José Botelho)

O Vale do Riff - The Charlatans, «The Only One I Know»

vip, vip, hurrah!

"Your blog is just perfect to learn something everyday",
disseram a Ana Paula e o Carlos Santos.
Generosidade a deles, mas ainda bem que o gozo que isto me provoca não se esgota em mim.
Um forte abraço a ambos.
E agora dez dos muitos em que aprendo sempre, obviamente sem contar com o
Catharsis e O Valor das Ideias:

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

O Vale do Riff - Peter Gabriel, «Mother Of Violence»

Domingo, Outubro 25, 2009

cartoon


William Hanna & Joseph Barbera, «Little Runaway» (1952)

toda a gente e ninguém

Acho imensa graça a Miguel Sousa Tavares quando ele diz que «ninguém sabe quem é» Gabriela Canavilhas, recém-nomeada ministra da Cultura. Também o Daniel Oliveira, esta noite n'O Eixo do Mal, produziu uma coisa parecida, que não retive. Eu sei quem ela é, há vários anos, e, lucky me, até tenho um disco seu ( e de Ana Ferraz, canções de Alfredo Keil). Mas se não soubesse, confessaria a ignorância própria, em vez de fazer figuras tristes resguardando-me com toda a gente e ninguém.