Esta a questão essencial, ornamentada por parvoíces jornalísticas que nem merecem referência, no "debate das rádios", entre a 1,35' e a 1,52'
Luís Marques Mendes, à 1h36m: no fundo não exclui nada, num quadro de paz, mas ainda é cedo para opinar, o que quer dizer que pode aceitar tudo. Nacional-redondismo, o falar imenso e dizer praticamente nada.
André Ventura, à 1h39m: a conversa que o seu eleitorado gosta de ouvir; guerra? toma lá um manguito, parece que morre muita gente na guerra... Se o envio é justificado ou injustificado isso não interessa para nada -- não mandamos tropas mas estamos "ao lado da Ucrânia". Sim senhor! Junta-se mais uma colagem da "extrema esquerda" (quer dizer o PCP, pretendendo atingir o Bloco e o Livre, injustamente, pois sabemos que estes têm estado bem ao lado do Chega nesta questão) -- e termina, não apenas falando do dinheiro abarbatado pelos amigos do Zelensky, mas, estadista, reafirma por outras palavras: "queres tropas?, toma!" ou seja: que morram os outros, pois nós até propusemos no Parlamento classificar a Rússia como estado terrorista -- não queriam mais nada! (Burburinho de aprovação na taberna.)
António Filipe, à 1h41m: basicamente isto, que é a posição com a qual genericamente me identifico, e que será retomada por Gouveia e Melo: tropas em tempo de guerra, não; tropas em tempo de paz, também não, uma vez que a Ucrânia não está na geografia dos nossos interesses permanentes enquanto estado -- um argumento simples, mas não simplista, que só alguns analfabetos das Relações Internacionais não perceberam. Ah, e também não é um membro da Nato, a Ucrânia...
António José Seguro, à 1h42m: se dizem que é para manutenção de paz, Seguro crê, cheio de angelismo, que é porque haverá paz, e assim devemos mandar para lá "profissionais" para proteger os nossos interesses, que são também os da Europa -- oh, a impreparação!... --, e claro, tudo consensualizado entre os órgãos de soberania. O que é preciso são os consensos.
Catarina Martins, à 1h43: diz, à cautela, que como não sabemos de que paz se trata, está-se elaborar sobre nada. Quer mandar geradores para aquecer os deslocados internos. Estou com ela; porém, como visão estratégica é pouco.
Henrique Gouveia e Melo, à 1h45m: como é o único que verdadeiramente sabe do que está a falar, para além das considerações políticas, ou seja: entram na sua equação as tangíveis questões militares e operacionais, e outras, não tanto, como os interesses geoestratégicos de Portugal e também a sua História. Diz claramente que é contra -- só ele e António Filipe o dizem claramente --, e, ainda por cima, explica porquê, vão lá ouvir.
João Cotrim de Figueiredo, às 1h47m: fico espantado com o modo com que diz as maiores banalidades e até asneiras, sempre com aquele ar empreendedor e de mangas arregaçadas. A anedota do dia: corrige André Ventura naquilo em que este tinha razão e, quando interpelado, chega-se-lhe junto -- o que é preciso é evitar que os nossos rapazes vão para lá. Cotrim, cada cavadela...
Jorge Pinto, à 1h50m de debate: aproveita para falar indirectamente na Gronelândia, por causa do Direito Internacional. Mais pueril que Seguro, o que lhe interessa é soltar a Ucrânia das garras de Putin, vá-se lá saber porquê. Diz-se pacifista e comeu a sopa toda do prato que lhe puseram à frente.
O debate.